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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Não repare as meias....

Uma sequência infindável de ideias a serem expressas, e a cabeça simplesmente trava. Quem antes escrevia com certa tenacidade para além da idade, hoje prosta-se ante aos cadernos, na tela de um computador, atônita, sem reação. A cabeça gira em ambos sentidos desgovernadamente ao ponto de causar dor em diversas partes do corpo, era como se na cabeça houvesse uma bomba-relógio prestes a explodir, causando a sensação de aflição, medo. Naquele ponto era complexa a simples tarefa de ordenar a rotina diária, sempre parece estar esquecendo de algo importante, escrever era desafio, um tremendo desafio. As horas do dia se esvaiam, tornando a impaciência companheira de caminhadas infinitas ao quintal, ao quarto do filho, à porta da rua. Sentou-se novamente e como que pedindo aos céus concentração, sabendo no íntimo que cabia apenas à própria essência essa tarefa.

Não se concentrava, simplesmente vagava, buscava entre matérias, sem conseguir fixar um tema de partida. Supôs tantos motivos, não sentiu nenhum concreto. Sem compreender ainda o porque algo que antes tão simples e leve, tornara-se tão nebuloso, praticamente impossível. Talvez um indício do quanto deixara de crer em si, na capacidade que tinha. Geralmente pela motivação advinda das críticas, pelo desprezo próximo, pelos julgamentos de loucura do que assumia pensar, do que dizia acreditar. Foi deixando de lado, afundando-se em como queriam que ela existisse, matando o que sonhava em viver. Mas seguiu e até onde percorreu ainda insistia em não desistir apesar de tantas pedras negativas, desvios impulsivos e mentes desoladas que sempre chegam determinadas a travar a vontade quem pode ir além de onde já se foi. Faltou malícia ao perceber esses deturpadores de caminhos, não houve destreza ao reconhecer os sequestradores de tantos sonhos. Mas também teve responsabilidade nisso, mostrou-se sem defesa por diversas vezes e chegou a acreditar que realmente não seria capaz, quase entregou de bandeja o potencial quando o jogou na vala do "nunca vai dar conta".

Voltou a buscar e está reencontrando pouco a pouco todos os pedaços do que um dia fora todo inteiro. Mas agora se depara com os remendos e consertos que precisam ser feitos antes de seguir. Trazer inspiração, buscar concentração e reativar a criatividade, motivar novamente o prazer pela escrita. Ainda notaria que para isso é preciso manter o prazer pela vida, a vontade e o amor pelo conhecimento é o que trazem inspiração, que levam a evolução. Passos longos, noites em claro, mesa bagunçada, folhas em branco, neuras com afinco.... no fim se vê sorrindo por enfim crescer.

sábado, 20 de outubro de 2012

Tire o sapato e contate a Terra com teus pés. Sinta como sua alma faz parte da natureza. É a obra divina, é o sentimento de liberdade. Você agora conhece sua origem e dela não há medo, não há desconfiança, há apenas o amor, a força, a vontade da vida.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Traços em almaços

Ela criava poesias contou-me certa vez em tons baixos.
Eu não sabia dizer ao certo se escrevia porque se apaixonou.
Ou se apaixonou-se para escrever devido a tanto amar as letras.
O fato é que ela fazia poemas e os poemas a faziam.
E mais que rabiscos em papéis, eram traços da alma.
Pontos do pensamento, pingos dos seus instintos.
Tudo ali com gosto, desgosto, alma, desalma...
E coração que não consegue ser outra coisa.
Mas ela declamava os poemas, com gosto de céu com gosto de chuva.
Rodopiava dentro do quarto como uma bailarina no melhor dos palcos.
Coração atento, olhos dispersos, sorriso pro mundo.
Toda a confusão e compreensão de um sentimento confusamente adorável.
Euforia à flor da pele, à flor do cabelo, à flor dos toques.
São laços, abraços, toques e desfoques, tudo a um só foco:
Certa vez em tons baixos, contou-me que criava poesias.





terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mas é que lá em cima, lá na beira da piscina...


Há exatos 23 três anos e quarenta e um dias, nascia essa espécie de metamorfose ambulante que vos escreve neste momento. E morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e o homem há exatos 23 anos que hoje se completam, levava deste plano um dos maiores, se não o maior integrante e idealizador da sociedade alternativa como passageiro no trem das 7. 
Tive como poucos a sorte de ser criada por um de seus "discípulos", por assim dizer, e mesmo tendo nascido há quarenta e um dias antes de sua partida, pude assim conhecer, entender e optar por seguir tais ideais mesmo vivendo em um mundo que ainda acha ridículo quem acredita em papai noel ou discute Carlos Gardel.
Sim graças ao meu tão grandioso pai (que carinhosamente apelidei de raulzito pelo tamanho do seu apreço ao músico), tenho orgulho de me reconhecer parte da geração da Luz, e poder mesmo que postumamente apreciar e sentir na voz ainda gravada em vinil o amor de poucos que cantavam com a alma. Um ser humano, um músico um poeta. 
Aprendi a interpretar o mundo de muitos modos, e principalmente a dar valor ao meu modo de ver a as coisas, a celebrar e chorar a vida na forma mais intensa de sua realidade.
Essa nova geração de tchus tchás, barás berês e lê lê lês é que me desculpem, mas nunca entenderão o que é ter nas mãos a velocidade da luz pra alcançar.
A matéria dele se foi, mas sua alma está espalhada em cada uma de suas obras.
Salve Raul.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Meu pé de Jabuticaba

Ontem fui visitar um antigo amigo no fundo do meu quintal: O pé de jabuticaba! Quase nem me lembrava mais de como ele era, há muito tempo não ia lá.
Ah, mas olhando pra ele me lembrei da minha infância, das tardes longas que passava naquele quintal, de quanto  eu brincava e não precisava me preocupar com mais nada, a não ser conseguir enrolar minha mãe para poder brincar até mais tarde.
Recordei-me também das férias deliciosas em meio a não só as jabuticabas enormes e docinhas, mas também a goiabas vermelhas, abacates e morangos.
Continuei viajando em meus pensamentos e gargalhava ao lembrar que sonhava em ser uma super-heroína, com poderes mentais para conseguir fazer meu pai me levar pra onde eu quisesse na hora que eu quisesse.
Me lembrei também que na escola eu e meus amigos sonhávamos que éramos donos do mundo e combinávamos de sair após a meia noite, só que no final das contas todo mundo acabava dormindo antes das oito. E no outro dia todo mundo dizia que éramos uns tratantes que marcam as coisas e nunca vão.
Como era bom!
E hoje, amigos que dominavam o mundo comigo? Restaram pouquíssimos, alguns ainda me ligam e agora realmente saímos a noite, mas com os outros já não falo com tanta frequência.
Então quando dei por mim, percebi que já não passo mais férias, hoje se tenho férias de estudo tenho que trabalhar e vice-versa.
Mas como diria o Tio Ben: "Grandes poderes, requerem grandes responsabilidades."
Sim, tem horas que eu acho que seria até interessante voltar a minha infância para aproveitar um pouco mais, fazer diferente muita coisa que fiz, mas ao mesmo tempo penso que não seria tão boa idéia assim.
Principalmente porque se pudéssemos voltar e fazer tudo de novo, a vida não teria a menor graça!
E a vida tem que ser sempre assim, fazer e depois se lembrar, pra rir muito.....