É preciso muita prudência, respeito e consciência ao tocar na ferida do outro para tentar curá-la, mesmo com a autorização do ser. Porque não basta que saibamos como curar, como aplicar os remédios ou medicinas necessárias é preciso ser HUMANO com a humanidade alheia. Porque ser humano é ser falho, é ser impaciente, ser ansioso, é mal compreender. Precisamos ter cautela ao cuidar disso. Até onde já nos entendemos, compreendemos e cuidamos a ponto de estarmos realmente aptos a olhar para a ferida do outro e dizer como tratar?
Claro que a espiritualidade trabalha independente de nossas
imperfeições e a partir do que temos em nossos corações, mas o quanto nós
ajudamos a ele, mantendo o aparelho/canal/cavalo/médium limpo e livre das
mazelas? Não estou aqui referindo apenas aos vícios mundanos que estes todos
temos ciência dos males que fazem e da energia vital que sugam e do tempo
terreno gasto. Mas olhemos aqui neste momento,
não apenas para o que entra pela nossa boca, analisemos o que mantemos
da boca pra dentro.
O quanto mantemos pensamentos frívolos, o quanto nutrimos
mágoas trazidas como ressentimento dos atos alheios pelo confronto com a
moralidade imposta sem interpretação, sem compaixão, sem amor.... moralidade
essa que mal conhecemos ou praticamos de fato?
O que entendemos realmente por moral nesse mundo? Realmente
já entendemos?
Analisar sem julgar parece fácil a princípio, até o momento
em que ela confronta com o que você julga não achar certo a partir do conceito
limitado que você tem, que parte única e exclusivamente da dimensão qual você
foi criado neste mundo? Sem julgamentos é sem julgamentos! De nenhuma espécie,
nem da sua perspectiva e nem tentando adivinhar a perspectiva de outrem para
querer classificar qualquer ato que saiba ou presencie. Nem mesmo o que você vê
é realmente a verdade, é sempre na maioria das vezes a ponta do iceberg.
Pratique a imparcialidade, confronte aquilo que te causa
repulsa e entenda o porque o sentimento que surge dentro de você com verdades
diferentes das suas, reage como reage. É aí que você tem poder de cura, é aí
que você tem total poder, sobre a sua essência, o seu ego, a sua vida.
Aline Guissan (e uma de suas consciências antecessoras)